Já faz um tempinho que eu ganhei esse livro de presente da amiga Bruna Schuch, mas só agora consegui dedicar tempo para a sua leitura (por conta do TCC!). Trata-se da biografia do brilhante fotógrafo Henri Cartier-Bresson, escrita pelo jornalista Pierre Assouline - bibliografia obrigatória para os amantes da fotografia, literatura, jornalismo literário, artes visuais…
A obra é – no mínimo – duplamente recomendada: primeiro, obviamente, por reunir informações preciosas sobre a vida daquele que é considerado por muitos o grande fotógrafo do século XX; segundo, pela escrita envolvente de Assouline que, filiado à escola literária de se fazer jornalismo, narra com poesia e propriedade sua grande reportagem/investigação sobre a vida do HCB.
Para não estragar as surpresas do livro – ao mesmo tempo em que convidá-los a essa leitura – transcrevo uma parte do texto, disponível logo na introdução. Nessa passagem, o escritor revela com uma riqueza de detalhes as características físicas do ateliê do fotógrafo, onde, juntamente dos desenhos de seu pai e guaches de seu tio, Bresson mantinha apenas duas fotografias na parede:
uma tirada pelo húngaro Martin Munkacsi por volta de 1929, três meninos negros de costas, correndo à contraluz na direção das águas do lago Tanganica;
![[blog de photo] credita o fotógrafo!](http://blogdephoto.files.wordpress.com/2010/07/munkacsi_tanganyika.jpg?w=590)
Foto: Martin Munkacsi
a outra, pertencente ao Museu da Revolução no México, do mexicano Agustin Casasola, mostrando o falsário Fortino Samano, em 1913, diante do pelotão de fuzilamento dando as costas para um muro, com as mãos nos bolsos e um cigarro nos lábios, esboçando um sorriso de provocação e fazendo uma pose insolente para melhor enfrentar a morte.
![[blog de photo] credita o fotógrafo!](http://blogdephoto.files.wordpress.com/2010/07/1-4.jpg?w=590)
Foto: Agustin Casasola
A primeira expressa a alegria de viver no que ela tem de mais intenso e espontâneo; a segunda, a liberdade absoluta apreendida no momento fatídico em que ela ultrapassa o ponto de não-retorno.
Nenhuma outra imagem, muito menos sua.