Os saltos de um campeão

fotos Bruno Alencastro | texto Danton Boattini Jr.

Os mais jovens desconfiam quando Jesse James Stringhini, 68 anos, sobe em uma ponte abandonada no balneário de Atlântida Sul, a 9 metros do rio, e se prepara para saltar. Sob olhares cheios de expectativa do “público”, o aposentado respira fundo, salta e dá um giro no ar, caindo na água com o corpo reto. Mais do que os inevitáveis aplausos, ele espera passar uma mensagem aos adolescentes. Quando frequenta o local, além de saltar, Jesse James dedica-se a orientar os jovens sobre como executar o movimento, a fim de evitar acidentes.

A primeira regra, considerada fundamental, é fazer um reconhecimento da área antes de saltar. “Aqui é o lugar ideal, mas não se pode pular de qualquer jeito”, ensina o aposentado, que foi campeão gaúcho de saltos ornamentais por cinco vezes na década de 1960 e hoje trabalha em uma escola de Porto Alegre. “Examine antes, depois você brinca. Cair lá de cima não é o problema, mas sim bater no fundo”, completa. Deve-se tomar cuidado, claro, com a presença de barcos ou outras embarcações na água. Além disso, segundo ele, é preciso “dominar o corpo no ar”. “Não se pode ter dúvidas. Você tem que saber o que vai fazer”, acrescenta Jesse James, que ganhou o nome inspirado no famoso bandido do Velho Oeste.

A paixão pelos saltos vem da adolescência. Stringhini começou a praticar o esporte quando tinha apenas 12 anos. Mais tarde, passou a disputar competições oficiais pelo Grêmio Náutico União. Em um campeonato nacional, chegou a ficar em terceiro lugar. O que ele lamenta é que hoje o espaço para esse tipo de atividade seja restrito. “Não existe mais em clube nenhum”, observou. Depois que começou a passar os verões em Osório, descobriu o local que considera ideal para o seu passatempo favorito. Hoje, ele frequenta a ponte nas tardes de sábado, durante o verão ou aos finais de semana.

O técnico em informática Vinícius Alves, 29, está entre os que ouviram com atenção as recomendações. “Tínhamos um pouco de medo. Não é chegar lá em cima e se atirar”, conta. As reações dos jovens aos conselhos de Jesse James são as mais variadas. “A gurizada não acredita e fica dando dicas para ele”, revela o filho Billy James, 31, que também pratica saltos no mesmo local. “Eles ficam com vergonha”, completa Jesse. A intenção, porém, não é causar constrangimentos. “Minha ideia é dar dicas para eles. Tendo água embaixo, eles pulam de qualquer jeito, mas existe todo um ritual”, observa o aposentado, lembrando que a imprudência pode provocar graves acidentes.

This entry was published on fevereiro 13, 2012 at 3:54 am. It’s filed under Correio do Povo and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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